11/06/2008 - 15h14
Garotas desaparecidas foram vistas indo para a Argentina, diz família
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
As adolescentes Giovanna Maresti Sant'Anna Silva,15, e Ana Lívia Destefani Luciano, 16, que desapareceram na última quinta-feira (5), em São Paulo, teriam sido vistas indo para Uruguaiana (RS), próximo à fronteira da Argentina. Elas estariam pedindo carona na cidade de Cachoeira do Sul (RS) pedindo carona.
| Arquivo pessoal |
| Ana Lívia e Giovanna, desaparecidas há uma semana, foram vistas em Uruguaiana (RS), na fronteira com a Argentinha |
O padrasto de Giovanna, o ator Sérgio Audi, disse que recebeu uma ligação de uma testemunha. "Uma pessoa nos ligou e deu a informação", diz Audi. "É nosso medo, que elas atravessem a fronteira", afirma Maria Valéria Destefani, mãe de Ana Lívia.
O último contato foi feito por volta das 23h da quinta-feira, quando Giovanna telefonou para a avó. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela mãe dela, a atriz e professora de teatro Kelly di Bertolli, a garota havia afirmado que iria dormir na casa de Ana Lívia. As duas jovens estudam no tradicional colégio Equipe (zona oeste de São Paulo).
Depois do cinema, as duas pegaram uma carona com um jovem próximo a um ponto de ônibus, entre 1h e 2h, e foram até o terminal da Barra Funda (zona oeste de São Paulo). Segundo o pai do rapaz, durante o trajeto, elas disseram que tinham contatos em Minas e que iriam até Monte Verde. A intenção delas era juntar dinheiro e ir até a Argentina.
Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), as investigações são conduzidas pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). A hipótese de seqüestro é descartada pelos investigadores, uma vez que nenhum contato foi feito com a família para pedir resgate.
Discussão
Bertolli contou à polícia que, por volta das 12h do dia do desaparecimento da filha, recebeu um telefonema dela dizendo que pretendia fazer uma viagem com a amiga Ana Lívia para a cidade de Bauru (329 km de São Paulo). Bertolli estava no Rio trabalhando, e a filha, em São Paulo. No contato, as duas acabaram discutindo.
Ela diz que autorizou a viagem da filha a Bauru desde que Giovanna fornecesse o telefone da mãe da amiga, que também iria viajar com as adolescentes. "Eu disse que podia, mas queria o telefone da mãe dela", afirma. Bertolli ressalta que a filha jamais desapareceu, porém que reclamava de sua vida na cidade de São Paulo e tinha interesse em viver no exterior.
"Ela é muito independente, fala muito bem inglês e espanhol. Mas isso é uma coisa. Outra coisa é largar a mãe dela desesperada, com um plano absurdo e sem dinheiro. Eu quero saber onde ela está, com quem ela está. Ela não tem idade para fazer tudo isso sozinha."
Buscas
Desde o sumiço das adolescentes, os parentes deflagraram uma campanha de busca que inclui mensagens pela internet para procurá-las.
Uma comunidade no site de relacionamentos Orkut foi criada e até um hacker foi contratado pela família para tentar encontrar pistas das garotas. Segundo a mãe de Giovanna, a busca é dificultada pelo fato de a filha ter colocado uma senha até agora não reconhecida, o que impede o acesso aos dados.
Bertolli conta que foi a Monte Verde, em Minas, e que espalhou fotos das duas garotas por mesas de bares do local.
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