sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Voltei ao bosque do imperador

         Hoje voltei ao bosque,e o "Velho" também,  sentou-se ao meu lado e começou a conversar contando sua estória.
----Vim morar aqui neste bosque aos nove anos de idade, para ganhar a vida fazia de tudo, carregava bolsa na feira, lavava carros, quantos baldes de agua peguei ali naquele tanque para lavar carros, não tenho nem conta. O Príncipe, que morava ali me via por aqui e não se importava, me dava até um dinheiro para carregar sacos de serragem para os cavalos dele. Uma vez até  me deu uma carta, para que ninguém me impedisse de trabalhar aqui nas ruas, eu era dono de tudo por aqui, brincava até com a Princesa, tinha um carrinho de rolimã, que hoje já não se vê mais por ai, descia  a rua Dom Pedro com ela, até o Português que era caseiro do Príncipe chegar, e me botar para correr.
          Quanta diferença dos meninos de rua de hoje. E assim, carregando bolsas, lavando carros e cuidando de trazer serragem para os cavalos do Príncipe, ele foi crescendo, um dia segundo ele, apareceu na feira uma figura histórica de Petrópolis, o famoso caveirinha, para os bandidos da epóca era o policial mais temido, para os amigos e conhecidos seu Rubens .
----Estava   na feira um dia, e o caveirinha chegou para fazer compras, eu cheguei perto dele e perguntei se podia carregar a bolsa para ele, eu tinha um problema na perna, e era franzino magrelo mesmo. Ele me olhou de cima em baixo, achou que eu não aguentava carregar a bolsa, mas afirmei que podia então ele me deu a bolsa, e lá fui eu carregando até a casa dele, que era bem distante, cheguei bufando, ele me mandou descansar e pediu que me dessem um café reforçado, comi com vontade, era o primeiro café da manhã. Depois ele me chamou, e perguntou se eu queria ganhar algum dinheiro, trabalhando na casa dele, eu disse que gostaria muito então ele me mandou voltar no dia seguinte.
        O velho voltou e começou a fazer pequenos serviços pro seu Rubens em sua casa, lavava um chão, cortava uma grama, limpava um vidro e por ai foi fazendo freguesia, porque todos a volta gostavam de ver ele trabalhando. Mas não deixava a feira de lado, e sempre carregava bolsas das pessoas , outras vezes ele limpava portas de aço, para os comerciantes e um dia pediu a um deles que tinha uma casa de importados, se poderia levar como pagamento um daqueles peixes que vinham em caixas, o português deu uma risada e disse que aquele peixe era muito caro para uma lavagem de porta. Porem, sua esposa vendo aquilo ficou com pena do "Velho " e depois que o marido saiu foi lá e cortou um bom pedaço de bacalhau do porto e deu ao "velho " que saiu contente de porta afora e foi correndo lá pro bosque fazer uma fogueira e cozinhar o peixinho
--Que ficou foi bom!!! -- O melhor bacalhau da minha vida he he he.

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