sábado, 15 de dezembro de 2007

A Loucura no bosque

        Aqui estou, sentado em um banco no Bosque do Imperador, tendo a minha frente a parte traseira do Museu Imperial, e as costas a casa do Príncipe, ao longe ouço a banda do Cenip ensaiando como fazem sempre, a tarde, crianças brincando na pracinha, uma fila enorme de pessoas esperando o onibus que as levara para seus lares. Elas riem noto, de um pobre velho fazendo sua pregação do fim do mundo.
 
--aquele que tem casa não vai levar ela não!
-aquele que casar com mulher feia vai ter que aguentar até o fim!
 
      Sabe-se lá, o que se passa na cabeça e na vida de uma pessoa assim? Quantas agruras terá sofrido para ficar destrambelhado gritando no meio da rua?.

--eu não sou pastor, não eu só quero a verdade!
       Que verdade será esta que ele quer? a verdade da vida? a verdade de Deus? ou a sua própria verdade?

--tem que respeitar uns aos outros, eu não sou melhor do que ninguém, e ninguém é melhor do que eu!

       Talvez esta seja a verdade não só dele mas de todos nós. Nas filas vejo o sorriso de alguns ao ouvir a verdade do "velho", que pensam que é louco, mas no fundo, loucos somos nós que não enxergamos a sabedoria, senão, na boca dos doutores e professores e quando a ouvimos de alguém como tal "Velho", logo o chamamos de louco.
        O "Velho" foi embora fazendo sua pregação para outras bandas, talvez amanhã ele volte talvez não.
        Aqui o bosque permanecera para sempre? esperando sempre, por todos que aqui passarem, e com suas árvores frondosas abrigará do Sol, todos os "Velhos" loucos e suas pregações. E até eu eu talvez algum dia também venha a fazer pregações por aqui louco que sou.

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